sexta-feira, setembro 23, 2005

FOFOCA FAZ BEM À SAÚDE?

Livro recentemente lançado na Itália defende a tese de que falar da vida alheia, fazer fofoca, faz bem à saúde. Ao indagar à minha amiga M. — leitora assídua das revistas de mexericos — o que achava da fofoca, ela não titubeou:
— Acho ótimo. Menos quando é comigo.
Ou seja, a fofoca não resiste à lei moral de Kant, segundo a qual as nossas ações deveriam poder constituir-se em leis universais. (Se levássemos às últimas conseqüências esse princípio, deveríamos abolir os votos de “muito dinheiro no bolso”, pois o excesso de meio circulante pode insuflar a inflação. O Ministro da Fazenda que o diga...)
Além disso, se a tese italiana fosse verídica, as mulheres gozariam de muito melhor saúde que os homens, já que são elas que se entregam preferencialmente ao hábito da fofoca, enquanto nós, machos, preferimos preencher nosso tempo com atividades mais nobres, como discutir aquele impedimento duvidoso do último Fla x Flu ou comentar os dotes anatômicos daquela modelo da capa da Playboy.
É bem capaz que a fofoca seja tão antiga quanto a mais velha profissão do mundo. A própria Bíblia está repleta de bisbilhotices de botar qualquer programa de fofocas da TV no chinelo. Deve ter sido alguma fofoqueira de plantão que informou o escriba bíblico sobre o incesto das filhas de Lot, que embriagaram o pai para dormir (no mal sentido) com ele, ou sobre a tentativa dos habitantes de Sodoma de abusar sexualmente dos anjos hospedados em casa de Lot.
Um dos assuntos favoritos das fofoqueiras de Atenas, as turras entre o filósofo Sócrates e a esposa Xantipa (diziam as más línguas, devido à atenção que Sócrates dispensava aos belos efebos, preferindo-os à não tão bela consorte). Certa vez (ainda segundo os fofoqueiros da época), em meio a acalorada discussão, Xantipa teria atirado tina d’água no filósofo, ao que este respondeu:
— Depois da tempestade vem a bonança. — E escafedeu-se antes que a cara-metade atirasse nova tina.
A Idade Média foi uma época de importantes discussões. Por exemplo, a natureza una ou trina da divindade, o número de anjos que caberiam na ponta de uma agulha, e por aí vai. No entanto, o que mais distraía as mulheres, quando os maridos se ausentavam para os torneios e cruzadas: falar mal dos vizinhos. Tanto é que milhares de inocentes pereceram nas fogueiras injustamente tachados de hereges, bruxas, judeus...
Avançando no tempo, os “Mexericos da Candinha”, da extinta Revista do Rádio, hoje fazem parte da memória coletiva brasileira. Roberto Carlos dedica-lhes uma canção de 1965 que diz: “A Candinha vive a falar de mim em tudo. Diz que eu sou louco, esquisito e cabeludo. E que eu não ligo para nada. Que eu dirijo em disparada. Acho que a Candinha gosta mesmo de falar...”
Encerro com uma observação: na história republicana recente, graças às revelações (uma forma de fofoca) de ex-esposas de figuras da política, muita roupa suja veio parar na lavanderia pública.

Ivo Koristovsky

4 Comments:

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9:08 PM  
Anonymous Anônimo said...

Olha aqui Ivo, nem vem com esse papo machista de que as mulheres são fofoqueiras, e que os homens se dedicam a tarefas "mais nobres", pois tem marmanjo de montão especialista nisso, é ou não é?...hehehe

1:14 PM  
Anonymous Anônimo said...

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